
Acompanhou o nascimento de várias associações e organizações na Vila. Foi o repórter de Ribeirão ao serviço de muitos órgãos de Comunicação Social, durante muitos anos. E quem não se lembra do Quiosque no Cunha? Maurício Couto na primeira pessoa...
Viver a Nossa Terra – Para quem não o conhece, talvez os mais jovens... afinal quem é Maurício Sá Couto?
Maurício Sá Couto – Nasci nesta querida vila de Ribeirão, em Ferreiros. Andei na catequese, recordo a minha catequista, por sinal a minha irmã Mariazinha, frequentei a escola primária em Santa Ana, com a saudosa professora Dª. Rosalina Pereira de Faria, continuei os estudos no liceu, frequentando o ensino particular na Trofa com os saudosos professores José Pereira da Silva e Dª. Maria José Pereira da Silva, em Famalicão no extinto Externato Camilo Castelo Branco com o Director Prof. Abel Folhadela de Macedo. Entretanto veio a tropa e interrompi os estudos.
VNT - Acompanhou o nascimento de associações e organizações que vieram a tornar-se baluartes desta terra… Quer recordar?
MSC – Estive na fundação do Rancho de S. Mamede de Ribeirão, tendo sido eu quem vendeu grande parte dos seus instrumentos ao sr. Manuel de Sousa (Carapeços). Recordo os saudosos sr. Abreu e a srª. Maria Carapeços. Esta senhora, um grande baluarte do grupo, mesmo com idade avançada, era muito querida e referência para os mais jovens. A seguir nasceu o Rancho Etnográfico de Ribeirão. Durante anos cada um à sua maneira foram dignos embaixadores dos cantos, dos costumes e tradições, desta terra do baixo Minho. Hoje infelizmente estão inactivos.O Grupo Recreativo Cultura e Desportivo “Os Barrigudos” e Beneficiante de Ribeirão e, de uma forma especial, o Clube de Cultura e Desporto de Ribeirão, que a par do Grupo Desportivo tem contribuído para a ocupação dos tempos livres da nossa juventude além de consideráveis êxitos no campo da competição.
VNT - O seu quiosque, no Cunha, foi durante anos ponto de encontro, local de tertúlia, talvez dos poucos sítios onde os jovens se juntavam com gosto…
MSC – É verdade, no estabelecimento que fundei em 1963, no lugar do “Cunha”, granjeei muitos amigos, novos e menos novos juntavam-se em amena cavaqueira. Discutia-se de tudo, desporto, em especial o dia-a-dia do GD Ribeirão. Por vezes a conversa era acalorada, lembro-me de muitos que, por lá passaram, mas há um de quem tenho imensa saudade, o saudoso Celestino Dias do Couto, do Outeiro, que diariamente no fim do trabalho era presença constante. De facto, o meu estabelecimento na altura era a única livraria e papelaria em Ribeirão. E daí resultar que muitos professores eram clientes e ao mesmo tempo amigos. Pois aí requisitavam os livros e todo o material escolar, para além de outras publicações.Podemos dizer com orgulho que, em parte também contribuímos para preencher uma lacuna que, existia nessa época, um estabelecimento do género do nosso.
VNT - Durante muitos anos a máquina de escrever do Maurício era o elo de ligação de Ribeirão com o mundo exterior…
MSC – De facto assim era, a máquina de escrever era o computador da altura. Com ela, caminhei pela comunicação social. Nos anos sessenta fui convidado pelo saudoso João Martins Figueiredo dos Santos a ocupar o seu lugar como correspondente do Jornal “Noticias de Famalicão”, já lá vão quase cinquenta anos.Pela minha dedicação sem limites à terra e ao meio, surgiram outros pedidos, e assim assumi compromisso com o Jornal de Famalicão, Jornal da Trofa, Voz da Trofa, Diário do Minho, Correio do Minho. E a caminhada alargou-se com a fundação do GD Ribeirão em 1 de Fevereiro de 1968, em que fui um dos fundadores, tendo surgido convites dos diários portuenses - Comércio do Porto, Jornal de Noticias, Primeiro de Janeiro - e dos desportivos Norte Desportivo, Mundo Desportivo, a Bola e Rádio Braga, hoje “Antena Minho”. Em todos, relatava os acontecimentos e em alguns, a vida da nossa terra.As redacções dos jornais não tinham um momento de folga, todas as manhãs, Ribeirão, estava presente.
VNT - Nesse contexto, como aprecia o nascimento do jornal “Viver a Nossa Terra”?
MSC – Foi uma pedrada no charco, como costuma-se dizer. De facto há muito que, Ribeirão precisava da sua independência neste campo. Até ao seu surgimento, outras publicações a nível religioso mas versando problemas também da terra, marcaram positivamente a sua presença, mas não haja dúvida que este mensário, veio dar outro impulso aos problemas de Ribeirão. Dotado de pessoas amantes da sua terra e possuídas de elevado grau de cultura, depressa de impôs à consideração que não só dos ribeirenses nas terras vizinhas, principalmente Fradelos que ocupa lugar de grande relevo nas suas páginas.
VNT - Residindo há vários anos fora de Ribeirão, tem acompanhado a evolução que por cá vai havendo? Que pensa sobre isso?
MSC – Penso que Ribeirão está imparável no seu desenvolvimento. Cada vez que visito venho encantando. Nem tudo é perfeito, há muita coisa a corrigir e a fazer, mas esta terra caminha a passos largos, para ser cidade e quem sabe ser concelho. Sabemos que alguns dos vizinhos e amigos ainda não estão preparados para isso. Mas com o passar do tempo, e com as vantagens que usufruirão, acabarão por verificar que essa é a melhor solução.Sabemos que Ribeirão está imparável, e é bom de constatar, nas agremiações desportivas, recreativas, sociais, religiosas e culturais e em diversos equipamentos.Dentro em breve irão ser inauguradas as piscinas apetrechadas. Há ainda um projecto da mudança da face do “seu” coração, com a demolição da antiga residência paroquial com a construção de mais uma escola, tudo dentro de uma harmonia que muito irá enriquecer Ribeirão.
VNT - O que faz mover um homem que durante todos estes anos tem trabalhado em prol dos outros?
MSC – O que me faz mover é o barrismo sadio, é o saber que amando a terra, amando os seus habitantes, amando tudo o que nela existe, não faço mais do que seguir as lições dos meus saudosos pais Manuel Dias Sá Couto e Joaquina Augusta Dias de Sá, que desde o berço me incutiram a mim e aos meus irmãos, o que eles faziam, amor sem receber nada em troca, a não ser a satisfação do dever cumprido.
VNT - Actualmente, ainda tem tempo para fazer voluntariado no Centro Social da Paróquia de S. Lázaro?
MSC – Sim, o voluntariado não tem limites nem fronteiras. Na paróquia de S. Lázaro os talentos que Deus me concedeu e assim quer participando nos actos litúrgicos, distribuindo a sagrada comunhão contribuindo para a solenização das Eucaristias, quer sendo um servidor nos “dinheiros” da igreja, missas, ofertórios, direitos paroquiais, contabilizando e fazendo o mapa de todo esse serviço, para além de pertencer ao Conselho Económico e a diversos grupos de apostolado, entre os quais o Movimento da Mensagem de Fátima, etc.
VNT - Tem valido a pena este(s) trabalho(s)? Porquê?
MSC – Entendo que, como acima frisei, quando se faz as coisas por amor, tudo compensa e, tudo, vale a pena.
VNT - Existe algum sonho que gostaria de ver concretizado em Ribeirão?
MSC – Um sonho meu e creio de todos os ribeirenses, era um dia Ribeirão ser concelho. Outro era ver concretizado um monumento ao Professor. Ribeirão orgulha-se, no presente e passado, ser um alfobre de bons professores nos vários escalões de ensino. Já se fizeram homenagens a diversos professores e a própria Câmara Municipal tem sido paradigma desta gratidão, mas Ribeirão precisa de esculpir na pedra e no bronze estes obreiros da educação, da ciência e da cultura.E aqui abro um parênteses para me congratular com a homenagem feita pela Câmara Municipal de Famalicão a diversas personagens, nomeadamente, aos ribeirenses Padres Joaquim Alcino Azevedo, Alexandre Dias da Cruz e Deolinda Morais da Silva.E já agora um pensamento afectuoso para o Pároco que me baptizou, o Pe. Joaquim Dias dos Santos, que me educou na fé Pe. António Lopes e o que me casou, o Pe. Henrique Ferreira de Faria.
VNT - A personalidade da sua vida.
MSC – João Paulo II, o grande apóstolo da Humanidade.
VNT - O filme da sua vida.
MSC – As Pupilas do sr. Reitor, do romance português de Júlio Dinis.
VNT - O livro da sua vida.
MSC – Há muitos, inclusive, o livro de poemas e diálogos da minha saudosa mãe Joaquina Augusta Dias de Sá. Mas pela actualidade e pelo seu valor histórico para esta terra e as suas gentes, inclino-me para a obra do bom amigo ribeirense Firmino Veloso dos Santos “Vila de Ribeirão – Uma Terra, um Povo e a sua História”.
VNT - Local que gostaria de visitar.
MSC – Um local límpido, sem poluição, o que nos tempos de hoje se torna um pouco difícil.
VNT - Local onde gostaria de viver.
MSC – Para além da minha terra natal que permanece eternamente no meu coração, Braga, terra linda, com santuários e miradouros excelentes.
VNT - Quer deixar alguma mensagem aos leitores do “Viver a Nossa Terra”?
MSC – Que respeitem a sua terra, que leiam o livro de Firmino Santos e assim ficarão mais inteirados do que vale a pena ser ribeirense e que vale a pena ser exemplo de tantos e tantos, cuja memória o autor invoca e que fizeram e fazem de Ribeirão, esta terra querida, amada e respeitada.
Domingo, 27 Julho 2008 , in Jornal Viver a Nossa Terra