A extinção da III Divisão Nacional a partir da temporada 2010/11 é a principal novidade saída da Assenbleia Geral da FPF, realizada este sábado. A proposta, apresentada pela AF Algarve, faz com que a partir dessa data, os vencedores dos campeonatos distritais tenham acesso directo à II Divisão, que vai ser composta por três séries de 16 equipas. Aprovado na generalidade, o projecto será agora alvo de regulamentação, sendo depois submetido a nova votação em AG.
Com esta medida, a II Divisão passa a ser o único campeonato de âmbito nacional organizado pela FPF no escalão sénior. A proposta foi alvo de discussão acalorada, sendo aprovada por 312 votos a favor e 123 contra, motivando o protesto da Associação de Futebol de Braga, cujo representante abandonou a reunião.
Citado pela agência Lusa, o presidente daquela associação considerou as alterações «redutoras» e facilitadoras da «extinção de um grande número de pequenos clubes.» Segundo a proposta da FPF, os vencedores das três séries da II Divisão discutem uma fase final, para decidir duas vagas de acesso à Liga de Honra. No entanto, a Liga de Clubes já manifestou disponibilidade para definir um leque de três vagas na promoção à Liga de Honra.
A II Divisão passará a ser disputada por 48 clubes, divididos em três séries de 16 clubes, a duas voltas, num sistema por pontos, cujos três vencedores disputarão uma fase final, subindo os dois melhores à Liga de Honra. A Liga Portuguesa de Futebol Profissional manifestou, entretanto, disponibilidade para estudar a hipótese de subida de três equipas ao segundo escalão profissional.
Enfim uma boa decisão[ 2009/01/31 22:36 ]
Luís SobralAcabar com a III Divisão parece ser uma das melhores decisões alguma vez saídas de uma Assembleia Geral da Federação.
Primeiro porque quanto menos provas a FPF organizar melhor para todos.
Depois porque o tempo não está para gastos desnecessários e o esforço para estar em competições nacionais leva muitas vezes os clubes para terrenos pantanosos.
Por último porque se a Associação de Braga vota contra é porque a proposta deve fazer sentido e ser boa para o futebol.
Os dirigentes são, como todos sabemos, um dos maiores problemas do futebol português. De forma geral fracos, sem cultura desportiva, permeáveis à vaidade. Nos emblemas da terra chegam, servem-se e muitas vezes vão embora deixando as contas por pagar. Tudo em nome da promoção que o futebol sempre dá.
O facto de haver menos campeonatos nacionais limitará o número de vãs glórias e ao mesmo tempo aumentará a rivalidade entre clubes de localidades vizinhas. Em princípio, isso será bom. Maior interesse, mais gente nos campos.
Sinceramente, acho que está na hora de levar a sério os problemas financeiros dos clubes. Só equipas saudáveis farão competições credíveis, capazes de chamar adeptos.
Para que as competições nacionais possam ser exemplares é fundamental que só lá estejam as equipas que cumprem os seus deveres. Reduzir o seu número, como propõe a Assembleia Geral da FPF, é uma medida corajosa e de rara clarividência. Mas não chega, claro.